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“Sair é difícil. Quase morri”, lembra baixista do Barão Vermelho em palestra em Cuiabá

Atualmente, quando se fala aos jovens sobre o tema uso de drogas, um dos principais focos é a prevenção. E nada melhor do que mostrar exemplos dos malefícios que elas causam para conscientizá-los. Essa foi a proposta da palestra que o baixista da banda Barão Vermelho, Rodrigo Santos, proferiu aos alunos do Ensino Fundamental e Médio do Colégio Maxi nesta quarta-feira (26).

Ele começou a carreira de músico ainda jovem, assim como ocorreu com o uso de drogas, desde lícitas como o álcool, até as ilícitas, como maconha e cocaína. Foram 22 anos de dependência química que custaram muito caro, conta. Além de prejudicar a carreira, quase o fez perder a vida. “Escapei, mas conheço muita gente que morreu”, lamenta, lembrando de artistas como Chorão (Charlie Brown Jr.) e Cássia Eller.

Rodrigo revelou que durante muitos anos conseguiu levar a carreira usando drogas. Chegou ao ponto de os próprios colegas de Barão darem um ultimato. Para continuar no grupo, teria que parar, lembra. E isso aconteceu em 2005, depois de muito sofrimento e momentos de desespero. “Sair é difícil. Quase morri, tive vontade de me matar”, conta. Hoje, além de produzir muito mais do que antes, graças ao fato de estar “limpo”, utiliza a experiência que teve para alertar os jovens. 

“Você tem que contar a verdade. Não tem esse negócio de glamour. Não sabemos até onde nosso organismo vai, nem a nossa cabeça, nem os problemas que jogamos para nossa família. Temos que ter responsabilidade com a própria vida. Essa responsabilidade só cabe à nós”, frisa. “As palestras são muito legais. Me sinto honrado porque na verdade só estou contando a minha história para que não aconteça com eles. Muita gente jogou a vida fora. Perdeu trabalho, perdeu credibilidade. Pior, perdeu a vontade de viver, a esperança”, acrescenta.

O diretor Disciplinar do Colégio Maxi, Carlos Alberto de Amorim, considera que essa é uma é otima forma de tratar do assunto com os jovens. “A escolha de Rodrigo foi porque a ideia era trazer uma pessoa que falasse a linguagem deles, até para prender mais a atenção dos alunos. Mostrar tudo o que ele passou nesse tempo todo”, explica. “Achei que o Rodrigo foi muito feliz na fala dele a partir do momento que mostrou todo o prejuízo que trouxe para a vida dele. Mostrando a consequência disso você vai brecar o início. Por isso estamos trabalhando com eles tão jovens, desde o 6º ano”, frisa.

Depoimentos

Os alunos também elogiaram a iniciativa. “Importante esse testemunho, com certeza. Porque muitos pais não têm essa conversa direta com os filhos, não falam sobre as drogas, os problemas que pode causar, sobre a dificuldade da saída das drogas também. Ele viveu essa situação”, diz João Rafael Vargas, do 9º ano.

“Mostrou que é muito ruim e que a gente pode dizer não. Não seguir as más influências. O que parece legal hoje pode ser muito ruim amanhã. Mas às vezes não pensamos nas consequências depois”, lembra Yasmin Silva Bueno, do 9º ano.

“Quando a pessoa não tem conhecimento do caso e fala de fora é uma coisa. Quando está dentro, com suas histórias, as experiências que viveu, é totalmente diferente. É importante porque mostra que você pode, tem poder, força de vontade para sair disso”, salienta Fernanda Santos Garcia, do 8º ano.

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